Apesar dos evidentes avanços, seja em termos tecnológicos ou em relação à conscientização de trabalhadores da construção civil quanto à importância da prevenção, os acidentes de trabalho nesse setor ainda existem e, em conseqüência, as mortes também. Mesmo com redução brusca nos índices de óbitos em canteiros de obras, o risco, atestam técnicos que participaram ontem da Mega Sipat (Semana Interna de Prevenção a Acidentes de Trabalho), promovida pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), ainda existe em função da falta de adoção de hábitos que, incorporados ao dia-a-dia, resultariam na preservação de vidas.
“Legislações, temos muitas. Precisamos mesmo é mudar corações e mentes, com a educação desde os empregados até a outra ponta”, aponta Nelson Martins Pereira, técnico em segurança do trabalho do Senai da Capital. Pereira destaca a alteração de normas que, desde 1994, diminuiu drasticamente a quantidade de mortes nos canteiros de obras. Apesar do menor número de acidentes fatais observado com a mudança de 15 anos atrás, ele se diz contra a frieza dos números em se tratando de vidas. “Trabalho de prevenção tem de ser contínuo e árduo”, enfatiza ele, que ontem ministrou palestra sobre soterramentos em construção civil.
Segundo o técnico, o tema discorrido em sua palestra é a terceira causa de mortes em canteiros de obras, superada apenas por quedas e choques elétricos, acidentes que, aponta, ocorrem em grande parte por desatenção com questões de segurança, seja quanto aos equipamentos obrigatórios ou adequação de espaços. “Ainda se trabalha com muita improvisação, com a segurança deixada a terceiro plano”, atribui.
A falta de informações específicas sobre acidentes do gênero no País também contribuem de forma negativa para o trabalho de prevenção desenvolvido por técnicos da área. “Em 1994, em São Paulo, foram registradas 130 mortes em construções. Neste ano foram 12, também na capital”, compara. “A queda nas mortes é grande, mas ainda existem, sendo que no Interior não temos números exatos”, aponta. “A informação ainda é precária no País”, lamenta.
Apesar dos casos relacionados à desatenção com itens de segurança, evidenciados, como afirmou Pereira, pelas “gambiarras” nos canteiros de obras, os avanços tanto no desenvolvimento de novos itens de segurança quanto também na conscientização de trabalhadores são enaltecidos pelos técnicos participantes, que mesmo com melhorias, advertem: “relaxar, jamais”. “Fazemos visitas periódicas nos canteiros”, detalha. “É algo que é preciso ser repetido diariamente”, acrescenta o técnico Roque Quadrado Filho, do Senai de Bauru, que, também no evento de ontem, ministrou palestra com o tema voltado para a sustentabilidade na construção civil.
A formação deve enfatizar profissionais atentos à prevenção nos acidentes de trabalho. Ele exemplifica essa preocupação com o núcleo específico à questão mantido pelo Senai, cujo prédio de construção civil é recém-inaugurado. “São 200 alunos nos cursos de técnico em edificações, mestre de obras, pintor, pedreiro e instalador hidráulico”, enumera Quadrado Filho, ao destacar que Bauru é a primeira cidade do Interior do Estado a contar com Núcleo de Construção Civil.
Fonte: Jornal da cidade de Baurau




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